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A moda vegana e a adequação do mercado

28 dezembro, 2018


4 min (tempo estimado de leitura)

Novos estilos de vida criam nichos de mercado e trazem consigo novas oportunidades de negócio, como é o caso da moda vegana. Afinal, o veganismo vai muito além de apenas excluir produtos de origem animal que sofrem exploração. Roupas, calçados, bolsas, cosméticos, tudo deve seguir padrões e normas que poupem os bichinhos.

Com cada vez mais veganos espalhados pelo Brasil, a indústria está procurando alternativas para atender esse público. Novas marcas são criadas e as tradicionais também estão procurando oferecer, pelo menos, parte do seu portfólio livre de matéria-prima animal, seguindo o lado mais ético e ecológico.

Depois da alimentação, a moda é o segmento mais relevante para quem aderiu a essa tendência de comportamento. Quem deseja produzir para esse mercado precisa compreender o veganismo e conhecer a fundo as restrições com as quais os veganos convivem. Essa expertise é necessária para tirar eventuais dúvidas dos clientes, que desejam fazer sempre uma compra segura.

Upcicyling: reaproveitamento sustentável de tecidos

De acordo com o Portal Veganismo, esse perfil de consumidor procura por produtores de roupas, calçados e acessórios que:

  • Substituam couro, seda, lã, camurça, plumas, marfim, ossos, pérolas ou qualquer outro componente animal por alternativas sintéticas ou vegetais;
  • Não explorem animais ou seres humanos em seu processo de fabricação/transporte;
  • Possam ser reaproveitados ou descartados após o uso de maneira amigável ao meio ambiente.

A importância da certificação

Uma pesquisa recente realizada pelo Ibope em maio de 2018 levantou dados interessantes sobre o perfil do consumidor brasileiro. De acordo com o estudo, 55% dos entrevistados disseram que comprariam mais produtos veganos se essa informação estivesse melhor indicada na embalagem. 

Portanto, para quem já produz para esse nicho e quer atrair novos consumidores que, embora não veganos, são simpáticos à essa filosofia de vida, as certificações são indispensáveis.

É possível identificar esse tipo de produto através do uso dos termos Cruelty-Free (livre de crueldade), Vegan-Friendly (amiga dos animais) e Moda Vegan (moda vegana). Os selos de certificação, que são a garantia de procedência da peça, podem ser obtidos através de sociedades veganas brasileiras e internacionais – até mesmo a PETA, a maior ONG de proteção aos animais do planeta, fornece esse tipo de reconhecimento. Cada uma delas apresenta uma série de critérios que devem ser observados por quem quer a liberação do certificado.

A moda vegana no Brasil 

No Brasil, são os pequenos varejistas que estão alimentando o mercado da moda com produtos que seguem a filosofia vegana. É o caso da King 55, que promete estilo e sofisticação com sua linha completa de vestuário eco-friendly. Com um portfólio que impressiona pela qualidade e pela quantidade de peças, eles também se preocupam em promover ações sustentáveis – a entrega em São Paulo é feita de bike. A iniciativa deu certo: recentemente eles passaram a atender Vancouver, no Canadá, com a loja online.

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Do Rio Grande Sul surgiu a Insecta, que une o artesanal com o cruelty-free. Desde 2014 eles produzem calçados a partir de retalhos e tecidos vintage reutilizados. Além dos modelos convencionais, eles apostam em estampas variadas para conquistar os clientes.

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Entre as mais conhecidas marcas veganas do país, a Melissa é o maior destaque. Sucesso desde os anos 80, a empresa produz sapatos de plástico e realiza parcerias com grandes nomes da moda, como Karl Lagerfield, da Chanel, para desenvolver linhas exclusivas de sapatos.

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A moda vegana está em sintonia com a moda consciente – ambas observam a origem da matéria-prima utilizada, o impacto dos insumos no meio ambiente e se os produtos poderão ser reaproveitados futuramente. Aqui a gente explica melhor sobre como é possível unir o universo fashion com a sustentabilidade.


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